Os graves problemas apresentados por armas da Taurus têm levado as polícias estaduais a enfrentar a burocracia e buscar brechas para importações. Os dados da balança comercial brasileira mostram que a importação de pistolas e revólveres em 2018 somou US$ 11,9 milhões, um pouco mais do que o registrado na soma dos seis anos anteriores. Após uma licitação internacional, a Polícia Militar de São Paulo adquiriu no ano passado pela primeira vez 6.250 pistolas calibre .40 da austríaca Glock por US$ 3,086 milhões (pela cotação de hoje, cerca de R$ 1.850 por unidade).

A operação só foi possível porque, após um processo administrativo, a Taurus ficou proibida de vender ao governo paulista por dois anos. O motivo foi o mau funcionamento de 7 mil submetralhadoras adquiridas da empresa em 2011 e nunca usadas, explicou o tenente-coronel Marco Aurélio Valério. A corporação até hoje está em litígio com a Taurus para devolução do equipamento. Além da preocupação com a qualidade, o tenente-coronel ressalta que a importação também trouxe economia ao Estado de São Paulo. Para efeito de comparação, o governo do Paraná fechou em novembro a compra para agentes penitenciários de 2.800 pistolas calibre .40 da Taurus por R$ 6,9 milhões (quase R$ 2.500 por unidade).

Valério estima que 95% das armas da polícia de São Paulo são da marca brasileira. Já as munições, todas fornecidas pela CBC, “não são ruins, mas há opções melhores e mais baratas no exterior”, ressalta. “Existe uma expectativa do mercado como um todo de que essas regras (rígidas contra importação) caiam. O que é estratégico no século 21 não é arma de baixo calibre, nem munição. É míssil, guerra eletrônica, drone de longo alcance”, afirma Valério. A Polícia Civil de Sergipe também conseguiu adquirir 100 pistolas Glock em 2016, após armas da Taurus falharem no ano anterior. A corporação trabalha em nova licitação internacional para comprar mais 400.

“Hoje, a gente consegue importar, mas é um trabalho absurdo, e a empresa nacional ainda tenta impugnar a licitação”, reclama o policial Ricardo Porto, diretor Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil de Sergipe.

Fonte: BBC